quarta-feira, 20 de agosto de 2014

QUEM ME DERA SER ONDA, Manuel Rui, Editora Gryphus

QUEM ME DERA SER ONDA
Titulo Original: QUEM ME DERA SER ONDA
Autor(a): Manuel Rui
Editora: Gryphus
Número de Páginas: 64
ISBN: 8575101064
Ano de Lançamento: 2005
Idioma Original: Português de Moçambique
(Preço: R$ 10,00 até R$ 15,00)
Avaliação pessoal: ★★★
(De zero até cinco estrelas)
Sinopse: Em um edifício onde é proibida a presença de animais, Pai Diogo, um dia, leva um leitão vivo para seu apartamento. O plano é engordá-lo o suficiente para, no carnaval, a família se empanturrar de carne de porco.
Em meio a diversas tramas e planos para escondê-lo do restante dos moradores e do administrador, Zeca e Ruca, filhos de Diogo acabam afeiçoando-se ao animal e farão de tudo para impedir o trágico destino que o espera.
Uma bela e tocante história de como uma amizade entre duas crianças e um porco pode mudar a vida de tanta gente.





Resenha:
No livro QUEM ME DERA SER ONDA, Manuel Rui procura mostrar quanto o ser humano pode ser apegar a um simples animal de estimação com a vida de Zeca e Ruca juntamente de seu porquinho de estimação chamado Carnaval, que é trago para casa (no caso apartamento e sim, você acaba de ler apartamento, local aonde os síndicos não pode nem sonhar que existem animais de estimação circulando) no intuito de ser tornar comida durante o período de festas que acontece todo ano em fevereiro e até então o evento se torna o nome do porquinho. Com a presença de Carnaval, o prédio se torna uma confusão que só e por conta de seus grunhidos, o sindico do prédio desconfia da existência de tal animal no apartamento de Diogo (pai de Zeca e Ruca) e tenta flagrar o leitão a todo instante, levando a família a esconde-lo nos lugares mais enfadonhos e inventarem as desculpas mas esfarrapadas possíveis, causando muitas gargalhadas, não só por isso mas pelo fato dos meninos acharem que tudo isso é uma festa e levarem o porco até para a escola, afim de mostra-lo para seus amigos. O livre é incrível, por mais infantil que pareça ser (até eu quem sou muito enjoado para esse tipo de livro curti bastante). 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Ratos, Gordon Reece, Intrínseca

 Ratos

Autor: Gordon Reece

Lançamento: 2011

Preço: varia de R$15,00 a R$25,00

Páginas: 238

Editora: Intrínseca

Sinopse

Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir - são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso.
Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou, elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.


Resenha

Um rato, quando encurralado, ataca mesmo estando com medo.
Este é o meu primeiro livro do Gordon Reece, e não será o último! Ratos é um thriller psicológico SUR-PRE-EN-DEN-TE do começo ao fim. Numa leitura descomplicada e envolvente, Reece nos transporta ao mundo de Shelley - uma garota marcada pelo bullying - e Elizabeth - a mãe agredida e humilhada -, ambas são ratos, ambas descobrem que gatos não são tão grandes assim.
Elas procuraram por uma verdadeira toca de ratos; escondida dos olhares, o chalé Madressilva. Mas elas mal imaginavam que os gatos sempre sabem onde os ratos se escondem.
Depois do divórcio conturbado e do acidente na escola, a vida das duas parecia ter finalmente se acalmado, mas na noite em que Shelley completa dezesseis anos esse pensamento cai por terra e levanta uma poeira espantosa. "E pela primeira vez senti que queria ser. Queria ter um namorado.Queria ser beijada."  
Um surto de coragem se apoderou de Shelley, um ato de desespero tornou sua mãe uma criminosa. "mas escutei o barulho nauseante de algo macio e úmido sendo atingido"  
O livro traz uma reflexão importante pros dias de hoje: Até que ponto um ser humano aguenta tanta pressão?
Bullying é um dos assuntos tratados. É comovente o modo como a garota suporta tudo calada, e a reação das autoridades ao descobrirem o crime. A profundidade dos sentimentos é tocante. O que uma mãe pode fazer para proteger o filho é inimaginável.

Recomendo para todos os leitores que gostam de refletir sobre as questões humanas mais intrigantes.

"A realidade era exatamente o oposto da ordem e da beleza; era o caos e o  sofrimento, a crueldade e o horror.Era ter seus cabelos incendiados sem ter feito mal a ninguém, era ser explodido por uma bomba terrorista ao levar seus filhos à escola ou ao se sentar em seu restaurante favorito, era apanhar até morrer em uma viela enquanto lhe roubam o pequeno salário que cabou de receber, era ser estuprada por bêbados, era ter a garganta cortada por um viciado que invadiu sua casa à procura de dinheiro.A realidade era um massacre diário de inocentes. Era um abatedouro, um açougue, forrado pelos corpos de inúmeros ratos…"


quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Palácio de Inverno, John Boyne, Companhia das Letras

O Palácio de Inverno

Autor: John Boyne
Lançamento: 2010
Editora: Companhia das Letras
Preço: varia de R$28,00 a R$42,00
Páginas: 456   

Sinopse


Pode-se fugir da história? Será possível viver no anonimato após uma existência de fausto e glória? A vida comum é assim tão diferente da vida pública? Geórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais. Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior. A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso - mas e para Zoia, o que teria custado? Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.  


Resenha

   Simplesmente incrível. John Boyne é um escritor ímpar.
   O Palácio de Inverno me conquistou pela narrativa viciante, personagens inesquecíveis, uma história envolvente e a capacidade de raciocínio que ele exige do leitor.
   O Livro não segue a ordem cronológica - Geórgui está relembrando acontecimentos aleatórios de sua vida e também narrando o presente - mas o livro não é uma confusão, cada capítulo é um momento vivido pelo fascinante Geórgui. O romance entre ele e Anastácia (futura Zoia) é do tipo "tudo sofre, tudo crê, tudo suporta", eles passam por muita coisa juntos.
  O primeiro beijo:

"Fiquei plantado ali onde estava, engolindo em seco, nervoso, desejando-a desesperadamente. Minha obrigação seria lhe fazer uma profunda vênia e uma saudação formal antes de continuar meu caminho, mas não consegui obedecer ao protocolo. Pelo contrário, recolhi-me ainda  mais nas sombras das colunas, contemplando-a, sem   afastar o olhar de seu rosto enquanto ela se aproximava de mim. Eu tinha a boca seca e estava sem palavras.  Fitamo-nos em silêncio até  que outro membro da Guarda Imperial, patrulhando as cercanias da praça do Palácio, passou ao lado de Anastácia num galope tão inesperado que ela deu um salto e emitiu um gritinho, com medo de ser derrubada e pisoteada pelo cavalo, e se refugiou em meus braços.Naquele momento, como dois amantes empenhados na mais graciosa dança, dei-lhe  um rodopio, e suas costas se comprimiram contra a grande porta de carvalho que se erguia atrás de nós.  Ali ficamos nas sombras, num local em que ninguém nos veria, contemplando-nos intensamente até que seus olhos começaram a se cerrar e eu me inclinei e apertei meus lábios frios e gretados contra o calor de sua boca macia e rosada. Envolvi-a com meus braços, uma das mãos a segurá-la por trás com firmeza e a outra perdendo-se entre a delicada maciez de seus cabelos acobreados.  A única coisa em que conseguia pensar naquele instante era o  quanto eu a desejava. O fato de não termos trocado sequer uma palavra não tinha importância alguma. E tampouco o fato de ser uma grã-duquesa, filha     da linhagem imperial, ao passo que eu era um simples criado, um mujique  que viera oferecer um pouco de segurança a seu irmão mais novo. Pouco me importava se alguém nos visse; eu sabia que ela queria, tanto quanto eu. Trocamos um beijo que não sei  quanto tempo  durou, e então, separando-nos apenas para retomar o fôlego, ela pôs a mão em meu  peito e me olhou entre assustada e  enlevada, e por fim desviou o olhar e fitou o chão, movendo a cabeça como se não fizesse a menor ideia de como chegara a tal ousadia."



 Alguns capítulos narram acontecimentos históricos, passa por vários países, tem cidades com nomes que só mesmo um russo pronunciaria, todas as 456 páginas valem a pena.
Há uns momentos revoltantes e assustadores, é surpreendente o modo como Boyne não deixa a estória cansar. 
 Me surpreendo ao saber que muitas pessoas abandonaram a leitura, para mim foi impossível largar e ainda terminou com um gostinho de quero mais. Minha única reclamação é não tê-lo na minha estante, no mais, é só saudades. Já está na minha listinha de releitura, e como eu sempre digo: Livro bom é aquele que meche com as nossas emoções.

sábado, 26 de abril de 2014

De Gênio e Louco Todo Mundo Tem um Pouco, Augusto Cury, Academia

De Gênio e Louco Todo Mundo Tem um Pouco
Autor: Augusto Cury
Ano: 2009
Editora Academia 
Preço: varia de R$ 20,00 a R$ 30,00 
Páginas : 208
Assunto: Romance

Sinopse:
Bartolomeu e Barnabé são personagens que já estavam nos dois primeiros livros da saga Vendedor de Sonhos. Neste livro, eles ganham o centro da narrativa e ficamos conhecendo quem são esses dois maltrapilhos que, um dia, se juntaram ao Vendedor de Sonhos para acompanhá-lo na sua luta para semear sonhos e fazer um mundo melhor. Bartolomeu e Barnabé são dessas pessoas que enfrentam a vida de maneira diferente: se metem em muitas enrascadas e fazem os outros pensarem em suas ações. Tão populares quanto os palhaços, eles também possuem um profundo lado trágico. A combinação desses dois lados é explosiva.

Resenha:
Sou uma grande fã de Augusto Cury e chamo-o simplesmente de Cury por carinho e admiração.
De Gênio e Louco Todo Mundo Tem um Pouco é um livro que faz pensar; é divertido e tem personagens inimagináveis.
O Próprio Cury não gosta de chamar seus livros de "livros de autoajuda", eles falam do psicológico sim, mas contam uma história, dão conselhos e realmente melhoram nossa visão do quê e como é a vida, mas autoajuda não, jamais!

O livro conta a história de vários "loucos" (entre aspas sim, pois são simplesmente rótulos que a sociedade impõe) que seguem Vendedor de Sonhos, que é um personagem de outros dois livros do autor, cada um com suas peculiaridades, problemas e modos de ver e viver a vida.
A narrativa é muito boa e a mensagem transmitida é sensacional, mas o final foi muito corrido. Senti que Cury mudou o desfecho da estória de algum modo, ficou muito surreal, fora da realidade dos personagens e muito superficial, é como se um diretor de filme policial tivesse sussurrado no ouvido do meu querido autor dizendo para ele pincelar a história com um pouco da ação absurda (e que ninguém entende muito bem) dos filmes policiais americanos. A mensagem a ser transmitida realmente é muito boa, mas meu admirado Cury não foi feliz nessa conclusão.
É só a minha opinião, meu ponto de vista; talvez eu não tenha entendido a "mensagem final", e como admiradora do autor sinto uma pontadinha de dor no meu coração por fazer essa crítica.

Os personagens foram muito bem explorados e têm aquela loucura que todo mundo ama:


" – Einstein, meu caro, comentou que a energia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado. Mas, se acrescentarmos em sua fórmula a raiz quadrada dividida por dois, multiplicada pelo dobro da velocidade da luz, teremos, afinal, a solução para resolver o problema de energia da humanidade."

Já li o livro faz um tempo, mas até hoje tenho a mania de dizer que as matérias da escola me "beijam o cérebro" quando eu entendo tudo haha, e com quem eu aprendi? :

"– Albert, se você estivesse aqui, me daria um beijo no cérebro. Encontrei a resposta! Finalmente!"

Como eu sempre digo: livro bom é aquele que mexe com as nossas emoções. Ou neste caso, este livro é bom pois ajuda a entender outras emoções (mesmo com uns pontos negativos).